Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Incineração emocional




O entorpecimento cognitivo é só um dos efeitos colaterais do tortuoso trilho que me espera dada a minha decisão plenamente masoquista e ignóbil. Irei esvair-me lenta e dolorosamente. Tens um efeito metastizante sublime, sinónimo de uma dor cruciante que me induzirá à morte. És cancro!

A tua fraqueza agonia-me; vomito força.
A tua inconstância fere-me; sangro segurança.
O teu medo enoja-me; escarro intrepidez.

Não que sejas indestrutível, mas a irracionalidade petrifica-me, impossibilitando-me de te salvar dessa bolha impenetrável. Bastava que me desses a mão e me convidasses a entrar, deixando-me agir.

Amo-te de um modo inimaginavelmente belo;
Amo-te pela efabulação criada;
Amo-te pelo platonismo;
Amo-te pela tenuidade palpável;
Amo-te porque te amo e amo poder amar-te.

As minhas ânsias desvaneceram-se, os meus desejos deixaram de fazer sentido, tentarei somente sobreviver, enquanto me sugas toda a alma e te deleitas com o sangue que me corre nas veias. Encara-o como um presente, usufrui!
Por fim, a cinzas me reduzirás. Inala-as de uma vez, deixa que o corpo corroa e que a dor te consuma magnanimamente! Sofre! Morre!
Anda, junta-te a mim, as nossas almas estão ilesas.

Agora sim, podemos ser felizes. Amo-te tanto, meu amor!

Camuflagem



Conhecer-te sempre foi desafiante pela pluralidade que representas. Estar contigo exerce um esforço psíquico tão grande em mim que me vejo obrigado a parar, centralizando-me somente no teu ser. Altruísta? Não! Estou a ser precisamente o antónimo, pois só desse modo mantenho a minha sanidade mental.

O modo descontraído como verbalizas, contrasta com a prisão motora denotada. Inspiras racionalidade e expiras metamorfose em doses tão elevadas que induz a descredibilização. Contudo esqueces-te que na minha presença é despiciente qualquer tipo de camuflagem. Eu conheço-te e foi pela tua essência retratada em sensibilidade crua, que me apaixonei por ti.

Os teus olhos atraiçoam-te, sendo neles que recordo as razões pelas quais te amo quando as tuas palavras teimam em empurrar-me pelo abismo do esquecimento. Sim, ouviste bem: eu amo-te. Adjectivaste o amor de assustador, desconhecido e inatingível. Assustador porque fragiliza, desconhecido pela surpresa e dúvida persistentes e inatingível pela magnanimidade que representa?

Não peço que me ames, abraça-me apenas.

Lembro-me todos os dias que te amo!

Mata-me de uma vez!



Deixaste que te invadisse e, dessa forma, que entrasse no teu mundo. Contudo, o posteriormente sucedido é incontrolável da tua parte, as ilações nascidas são culpa minha. Eu sou o culpado de te tentar descobrir, atraído pela diferença e consequente dificuldade desafiante eminente.

Sou o culpado de te desejar
Sou o culpado de te amar
Mas... não sou o culpado de não te ter.

Liberta-te dos estigmas, liberta-te da dor. Sente com clareza e não abduzido pela obscuridade.

Abre os olhos. Vês? Estou aqui. Abraça-me. Deixa que os nossos corpos atinjam o equilíbrio, deixa que a minha frequência cardíaca abrande, para que te possa beijar sem a tragicidade que seria não o poder repetir.

Dá-me a tua mão
Deixa-me olhar-te
Olha-me sem receio
És tão lindo, sabes?

Amas-me? Então larga as entrelinhas, despede-te dos intra-fraseamentos, das significações insignificantes, pois são o espelho da tua insegurança narcisista que te apunhala e mata.

Estarei sempre. Sempre...!

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Futilidade emocional



Apercebi-me da polaridade, porém equitativa, da futilidade. Quando o materialismo é despiciendo e a emoção prevalece, a dor surge e o pensamento padece.
Olho-te nos olhos, mas eles teimam em fugir. A tua presença incomoda-me, enaltecendo a minha inferioridade; bastava que quisesses e espezinhavas-me com a maior das facilidades, ali, aqui, agora...
Tento descobrir-te um sorriso mas apenas o denoto em resposta a situações banais e quotidianas. Tens um semblante tão carregado, sabes? Transpareces dor, dúvida, indefinição e angústia. Sinto-te preso.
Apetece-me abraçar-te e, momentaneamente, ver-te explodir até ao tutano; limitar-me-ei a deixar-te cair e ver-te morrer. Contudo, estarei ao teu lado, pois quando acordares serás Novo. Sentirás a leveza do teu ser em plenitude, transmutada num sorriso, finalmente, real.
Tenho a capacidade de te ver para além do que representas fisicamente e és tanto, tanto, tanto...
Fizeste-me compreender qual o meu rumo emocional. Abominarei a futilidade, ansiando eternamente que partilhemos um beijo e sejamos um só no abraço que nos une.
Chama-lhe masoquismo ou mesmo estupidez, mas não desistirei até que a negatividade literalizada me apunhale.


Devan

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Matriosca sentimental



A dor é inqualificável e inquantificável. De tal modo que acabo por colocar em causa a sua denominação. Trata-se de uma indefinição por si só indefinível e insignificável. Insignificação essa indecifrável. Uma pura matriosca sentimental.

Miras-me e ressalta o meu, suposto, ego grandioso;
Avanças, dubiamente, e verificas que reduziu de tamanho;
Temes e Retrocedes, dadas as dúvidas sustentabilizadas por tais avaliações prévias;
Investes, pois anseias uma mudança ou te encontras ludibriado pelo aparentável;
Ostentas-te e verificas se, igualmente, serás capaz de protagonizar;
Sensibilizas-te para que surta efeito e ocorra repercussão emocional;
Cais, expectante que te suporte e eleve;
Apaixonas-te, pois foste capaz de me descamuflar no teu íntimo, concomitantemente te impondo de modo a que o meu altruísmo fosse activado e, dessa forma, me sensibilizaste impossibilitando a minha inércia face à tua queda.

Apaixonei-me, apaixonámo-nos.

Nada na vida é um dado adquirido, devendo o conhecimento se sobrepôr a qualquer desejo e conclusões prévias. Assim sendo, "brinca". Fá-lo de um modo inteligente e construtivo, evitando rotulagens e cogitações precipitadas. Lembra-te, o conhecimento é a base para uma possível concretização posterior.

Amem! Sejam amados!

Cumprimentos,

Devan

Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Indefinição pluralista


Por vezes torna-se impossibilitada a partilha e descrição de um sentimento, usando apenas uma palavra. Primeiramente porque nos deixamos levar pela magnanimidade do momento, seja ele de euforia ou melancolia; secundariamente pois essa necessidade não surge, prevalecendo o desejo de libertação, consequenciando-se uma pluralidade verbal. No entanto, considero uma ausência total de equidade entre o pensamento e a quantitativa expressão do mesmo. Tal é claramente visível na palavra "indefinição", dada a sua capacidade e poder conglobantes. Contudo, o substantivo deverá ser destrinçado medialmente, avaliando-se, cuidadosamente, os que ousam citá-lo. A sua aplicação só será valorativa, caso esteja previamente presente uma definição mental, sendo pré-requisito uma cogitação profunda.

Deparo-me com uma indefinição feliz, dolorosa, criteriosa e comovedora. Pungente pluralismo!

Devan

Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Camuflagem impossibilitada


Considero inexistentes os limites do sofrimento, dependendo este de diversos factores emocionais e, indubitavelmente, psicológicos. A impossibilidade de quantificar o sentimento, induz-nos ao constante erro e repetição. As hipérboles serão consecutivas, produzidas por uma irracionalidade e inconsequência naturais. É inevitável que os sentimentos prevaleçam à razão, mas será saudável?

Encontro-me, actualmente, embrenhado num estado de fragilidade eminente. A minha personalidade dominante não me permite que tal seja partilhado, ludibriando o meu cérebro para que suceda a sua reversão. O objectivo será, socialmente, cumprido na perfeição, contudo, sinto-me a fraquejar. A ânsia petrifica-me, o desejo corrompe-me.

Esquecer não é uma opção, dada a sua total impossibilidade. Prender-me-ei à réstia de esperança que, fugazmente, surge.


Devan